A implantação do projeto de mobilidade urbana orçado em R$ 180 milhões que o Governo Federal aprovou para Campo Grande, vai garantir um transporte coletivo de qualidade para os próximos 20 anos. A expectativa é do prefeito Nelson Trad Filho, que acompanhado de secretários esteve na superintendência regional de Caixa Econômica Federal para detalhar o projeto aos técnicos da Caixa que vão analisá-lo a proposta antes de ser enviado ao Ministério das Cidades. “Espero o apoio e a colaboração de vocês porque este não é um projeto do Nelson Trad Filho mas um legado importante para a cidade”, comentou.
Segundo o diretor da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), Rudel Trindade Júnior, a concepção e o formato do projeto que passou pelo crivo do Ministério das Cidades. “Foi feita uma análise tão rigorosa que no grupo no qual Campo Grande está inserido, o de cidades com até um milhão de habitantes, só nove tiveram seus projetos de mobilidade urbana aprovados pelo Ministério”.
Rudel explicou que Campo Grande optou pelo BRT (sigla em inglês que em versão literal significa trânsito rápido de autocarros/ônibus) um modelo de transporte rápido implantado inicialmente em Curitiba que foi adotado em várias cidades brasileiras e até do exterior. Neste sistema, ônibus articulados ou biarticulados trafegam em corredores com canaletas específicas nas vias onde houver canteiro central.
A opção pelo metrô de superfície foi descartada porque ainda não há demanda suficiente que viabilize o investimento. “Precisaríamos ter demanda de 30 mil usuários na hora do pico. Hoje, o pico de demanda é de cinco mil usuários na linha que liga os terminais Aero Rancho/Bandeirantes e Nova Bahia”, explica.
Com o BRT, de acordo com Rudel, o usuário vai ser beneficiado duplamente porque haverá redução do tempo de viagem e até algum barateamento da tarifa porque será possível atender o mesmo número de usuário com menor quantidade de ônibus. “Os articulados ou biarticulados transportam o dobro de passageiros de um veículo convencional”, lembra.
O projeto prevê a implantação de 58 quilômetros de corredores do transporte coletivo, entre vias com faixa exclusiva e naquelas com canteiro central, serão instaladas canaletas separando fisicamente a faixa dos ônibus das pistas reservadas ao tráfego de veículos particulares. As canaletas estão programadas para avenida Marechal Deodoro (entre o terminal Aero Rancho e a rotatória); Afonso Pena (da rua Guias Lopes/Shopping Campo Grande); avenida Cônsul Trad e avenida Gury Marques.
Serão construídos quatro novos terminais (Cafezais, Parati, Tiradentes e São Francisco) e implantadas 41 estações de pré-embarque. Vai ser montada uma central de monitoramento do serviço, além de uma sinalização com radares e câmeras de monitoramento em todo o trajeto. Também estão programadas intervenções viárias, como a construção de um viaduto na rotária das avenidas Gury Marques com Olavo Vilela de Andrade.